





O trabalho faz parte de uma série inicial de cinquenta pinturas em saquinhos de doces de Cosme e Damião, retratando alimentos típicos da cesta básica brasileira e da culinária afro-brasileira. Inspirada pelo conceito de ebó — prática de oferenda nas religiões de matriz africana — as pinturas exploram o ato de alimentar como um gesto de afeto e proteção, nutrindo não apenas o corpo, mas também a cultura, a memória e a espiritualidade. A referência aos saquinhos de Cosme e Damião e aos orixás Ibeji evoca a saudade e as memórias da infância, associadas a momentos de generosidade e alegria.
A presença dos Ibejis traz um simbolismo de proteção e espanta a morte, lembrando que, em um país onde as pessoas enfrentam a fome e a desigualdade, o alimento é tanto um sustento físico quanto uma força espiritual que afasta a morte do corpo e da alma. Assim, o alimento, tanto nas suas formas físicas quanto simbólicas, torna-se portador de lembranças e de vínculos espirituais com a ancestralidade, questionando o que escolhemos para nutrir nossa vida, corpo e alma.
Tinta acrílica sobre papel, atualmente em desenvolvimento, iniciada em 2024.
Dimensão: 29,7cm X 42cm