Patota de Dois

Como parte de uma experimentação com bandeiras, o trabalho se inspira na iconografia dos sacos de Cosme e Damião, presentes distribuídos nas ruas do Rio de Janeiro em celebração que une devoção católica e matrizes afro-brasileiras. A frase “Salve São Cosme e São Damião! Onipé Ìbejì” atravessa a composição como saudação aos gêmeos sagrados do universo yorùbá. Em vez dos santos, surgem duas crianças gêmeas vestidas de bate-bola em vermelho e verde, cores que evocam o carnaval de rua e a estética vibrante da periferia. A bandeira torna-se território de encontro entre religiosidade popular, brincadeira e cultura urbana. Há também uma camada autobiográfica, as figuras são autorretratos de infância, duplicados e espelhados, compondo um jogo de memórias em que o artista se reconhece como dupla e como parte de uma linhagem simbólica que vai do terreiro ao asfalto.

Impressão sublimada sobre tecido poliéster, 2025 1,45m X 1,00m, 2025.